O câncer de intestino, também conhecido como câncer colorretal, continua em crescimento no Brasil e já figura entre os tipos de câncer mais frequentes no país. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), a doença provoca mais de 23 mil mortes por ano, enquanto especialistas alertam para um aumento preocupante dos diagnósticos em pessoas mais jovens.
Apesar de, em muitos casos, evoluir de forma silenciosa, o tumor costuma apresentar sinais antes de atingir estágios avançados. O problema é que esses sintomas frequentemente são ignorados, atrasando o diagnóstico e reduzindo as chances de um tratamento mais eficaz.
Entre os principais sinais de alerta estão sangue nas fezes, sangramento retal, diarreia persistente, constipação, fezes afinadas por vários dias, perda de peso sem causa aparente, dores abdominais frequentes e anemia sem explicação.
Um dos casos que chamou atenção foi o da cantora Preta Gil, que revelou ter procurado atendimento médico após enfrentar uma prisão de ventre incomum, além de notar fezes achatadas, presença de sangue e muco. O diagnóstico veio somente depois de um episódio de sangramento intenso, quando exames identificaram um tumor de aproximadamente seis centímetros.
Especialistas destacam que o maior desafio ainda é convencer a população a procurar ajuda médica diante dos primeiros sintomas. Uma pesquisa realizada pelo A.C. Camargo Cancer Center mostrou que, embora muitas pessoas conheçam os sinais da doença, parte delas não busca avaliação médica. O levantamento apontou que 9% dos entrevistados afirmaram já ter percebido sangue nas fezes, mas quase metade não procurou atendimento.
No cenário mundial, cerca de 2 milhões de pessoas recebem o diagnóstico de câncer colorretal todos os anos. No Brasil, a doença representa aproximadamente 10% dos novos casos de câncer registrados entre homens e mulheres, mantendo uma tendência de crescimento observada nos últimos anos.
Embora a maioria dos casos ainda seja diagnosticada após os 50 anos, médicos observam um aumento constante entre adultos mais jovens. Ainda não existe uma explicação definitiva para esse avanço, mas pesquisadores apontam que hábitos relacionados ao estilo de vida podem estar entre os principais fatores envolvidos.
A prevenção passa por mudanças simples na rotina. Uma alimentação equilibrada, controle do peso, prática regular de atividade física, abandono do cigarro, consumo moderado de bebidas alcoólicas, hidratação adequada e funcionamento regular do intestino ajudam a reduzir o risco da doença. Os especialistas reforçam que não é recomendado permanecer mais de 48 horas sem evacuar, já que o contato prolongado das fezes com a mucosa intestinal pode aumentar a exposição a substâncias potencialmente cancerígenas.
Outra novidade importante é a ampliação das estratégias de rastreamento pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O Ministério da Saúde passou a adotar o Teste Imunoquímico Fecal (FIT) como exame de referência para homens e mulheres entre 50 e 75 anos que não apresentam sintomas. O exame identifica pequenas quantidades de sangue oculto nas fezes e pode detectar precocemente pólipos, lesões pré-cancerígenas e tumores, permitindo que pacientes iniciem o tratamento antes do avanço da doença.
O crescimento dos casos reforça a importância da prevenção e da atenção aos primeiros sinais. Quanto mais cedo o câncer colorretal é identificado, maiores são as possibilidades de tratamento bem-sucedido e de recuperação.
Fonte: https://g1.globo.com