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A família de Lucimar das Neves Ferreira, irmão de Leide das Neves, uma das principais vítimas do acidente com Césio-137 em Goiânia, confirmou sua morte neste sábado (25). Ele foi encontrado sem vida no bairro Cidade Satélite, em Aparecida de Goiânia. A causa do falecimento não foi divulgada.
Segundo a mãe, Lourdes das Neves, Lucimar tinha apenas 14 anos quando também foi atingido pela contaminação durante o maior acidente radiológico da história ocorrido fora de uma usina nuclear, em 1987. O velório acontece na manhã deste domingo (26), em Abadia de Goiás, e o sepultamento está previsto para as 10h.
A notícia reacende a memória de uma das maiores tragédias da história brasileira. A família de Leide das Neves se tornou símbolo das consequências humanas do acidente envolvendo o Césio-137, que afetou milhares de pessoas e marcou profundamente a população goiana.
O presidente da Associação das Vítimas do Césio-137 (AVCésio), Marcelo Santos Neves, lamentou a morte de Lucimar e destacou que a perda revive o sofrimento enfrentado pelas vítimas desde o desastre.
“Agora, a gente tem que dar o máximo de apoio possível porque vai ser muito dolorido. Por mais que ela já esteja calejada com essas dores de perda da filha, agora perde também o filho”, afirmou.
Marcelo também relembrou a convivência com Lucimar nos dias que sucederam o acidente. Segundo ele, durante o período de isolamento e incertezas, costumava levar o adolescente para sua casa, onde ele passava o tempo jogando videogame com outras crianças da mesma idade.
O acidente que marcou o Brasil
Em 13 de setembro de 1987, dois catadores de materiais recicláveis retiraram um aparelho de radioterapia abandonado de uma clínica desativada em Goiânia. O equipamento foi desmontado e acabou revelando uma cápsula contendo 19 gramas de Césio-137, material altamente radioativo.
Sem conhecer os riscos, diversas pessoas tiveram contato com o pó brilhante liberado pela cápsula, espalhando a contaminação por diferentes pontos da cidade. O acidente provocou a morte de quatro pessoas, incluindo Leide das Neves, e levou mais de mil moradores a passarem por avaliações médicas. Ao todo, 129 pessoas apresentaram contaminação por radiação.
Quase quatro décadas depois, o episódio continua sendo lembrado não apenas pelo impacto ambiental e de saúde pública, mas também pelas marcas deixadas nas famílias das vítimas. A morte de Lucimar das Neves Ferreira reforça a memória de uma tragédia que permanece viva na história de Goiás e do Brasil.
Fonte: G1
