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O avanço do Pix está mudando rapidamente a forma como os brasileiros pagam por produtos e serviços. Em 2025, o Brasil tornou-se o país da América Latina com a menor participação do dinheiro em espécie nos pontos de venda, mostrando uma distância significativa em relação a mercados como México, Colômbia e Peru.
Os dados fazem parte da 11ª edição do Global Payments Report 2026. Segundo o levantamento, pagamentos em dinheiro representaram apenas 12% do valor transacionado nos pontos de venda brasileiros em 2025.
O resultado chama atenção principalmente quando comparado ao restante da região. Na América Latina, o dinheiro físico ainda respondeu por 23% do valor movimentado nos pontos de venda, enquanto a média global ficou em 14%.
Brasil se distancia de outros mercados latino-americanos
Depois do Brasil, o Chile aparece entre os países analisados com menor participação do dinheiro em espécie, registrando 16%. A Argentina vem logo atrás, com 17%.
Em outros grandes mercados latino-americanos, porém, as cédulas continuam ocupando um espaço bem maior nas compras presenciais.
No Peru, o dinheiro respondeu por 30% do valor transacionado nos pontos de venda. Na Colômbia, a participação chegou a 32%. O México apresentou o índice mais elevado entre os países citados, com 40%.
A força do dinheiro físico mexicano também aparece no comércio eletrônico. A América Latina lidera mundialmente o uso de pagamentos em dinheiro no momento da entrega, modalidade conhecida como cash on delivery.
No México, esse formato respondeu por 6% das transações de e-commerce, maior participação registrada no mundo segundo o estudo.
Pix ganha espaço dentro e fora das lojas
No mercado brasileiro, o Pix tornou-se uma das principais forças por trás da expansão dos pagamentos de conta a conta, conhecidos como A2A.
Em 2025, esse tipo de pagamento respondeu por 42% do valor movimentado no e-commerce brasileiro e por 34% do valor transacionado nos pontos de venda.
A transformação não está restrita ao Brasil. Outros países da região também avançam na implantação e adoção de sistemas de pagamentos instantâneos.
Na Argentina, o Transferencias 3.0 levou os pagamentos A2A a uma participação de 15% no comércio eletrônico e 10% nos pontos de venda. Já a Colômbia avançou nessa direção em 2025 com o lançamento do sistema de pagamentos instantâneos Bre-B por seu banco central.
Carteiras digitais ainda têm espaço para crescer
Apesar da expansão dos pagamentos digitais, as carteiras digitais ainda apresentam participação menor na América Latina do que no mercado global.
Em 2025, elas responderam por 23% do valor transacionado no e-commerce latino-americano. Globalmente, a participação chegou a 56%.
Nos pontos de venda, a diferença também permanece expressiva. As carteiras representaram 16% do valor movimentado na América Latina, contra uma média mundial de 33%.
Esse cenário, porém, pode continuar mudando à medida que plataformas financeiras ampliam sua presença na região. O Mercado Pago já está entre os aplicativos de pagamento mais utilizados nos mercados latino-americanos em que opera, enquanto PayPal, Nequi, na Colômbia, e Yape, no Peru, também mantêm presença relevante.
A fotografia dos pagamentos na América Latina mostra, portanto, uma região avançando em ritmos diferentes. Enquanto o dinheiro físico continua importante em países como México, Colômbia e Peru, o Brasil já apresenta um comportamento bastante distinto.
Com o Pix ocupando uma parcela expressiva das transações online e presenciais, o país tornou-se um dos exemplos mais claros de como os pagamentos instantâneos estão reduzindo o espaço tradicionalmente ocupado pelas cédulas.
Fonte: Global Payments Report 202