Um levantamento do NetLab, laboratório da UFRJ, aponta que o Kwai não cumpre integralmente as exigências do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre publicidade político-eleitoral, dificultando a fiscalização dos anúncios pagos na plataforma.
O estudo, obtido com exclusividade pelo g1, não identifica diretamente anúncios irregulares no Kwai, mas destaca a falta de transparência que impede a verificação completa dessas práticas. A análise indica que a biblioteca de anúncios da rede social não detalha com precisão os gastos, o alcance real do público e limita o acesso a dados essenciais para o controle eleitoral.
Essas informações são fundamentais para o cumprimento das regras eleitorais que regulam o impulsionamento de conteúdos pagos durante as campanhas. A regulamentação do TSE estabelece que plataformas devem garantir transparência total para obter credenciamento e operar legalmente nesse segmento.
Em resposta, o Kwai afirmou que seu Plano de Conformidade Eleitoral para 2026 foi revisado e aprovado pelo TSE. A empresa destaca que a ferramenta para extração automática de dados está disponível mediante solicitação oficial e que eventuais falhas técnicas serão corrigidas pelas equipes responsáveis.
Por outro lado, a diretora do NetLab, Marie Santini, ressaltou que as limitações do Kwai criam um ambiente propício para a circulação de anúncios irregulares e campanhas não autorizadas, especialmente porque a plataforma atinge cerca de 40% dos usuários brasileiros, com forte presença nas classes C, D e E.
O TSE já avalia o relatório e deve tomar providências conforme a resolução que regula a propaganda eleitoral. O Kwai, que mantém diálogo com o tribunal e participa de iniciativas para combater a desinformação, terá que ajustar seus processos para garantir maior transparência no pleito de 2026.
Esse episódio reforça a importância da fiscalização rigorosa nas plataformas digitais com grande alcance, sobretudo em um cenário eleitoral cada vez mais conectado e influenciado por redes sociais.