O cenário empresarial brasileiro foi sacudido por uma decisão judicial severa envolvendo um dos rostos mais conhecidos do empreendedorismo nacional. João Appolinário, fundador da Polishop e figura icônica do reality show Shark Tank Brasil, teve seu passaporte apreendido por determinação da Justiça de São Paulo. A medida, que possui validade inicial de dois anos, responde a um processo movido pelo Banco Itaú, que tenta reaver uma dívida que ultrapassa a casa do milhão.
A Polishop, gigante do varejo conhecida por seus produtos exclusivos e presença massiva em canais de TV, atravessa um período de reestruturação complexo. Em 2020, a empresa contraiu um empréstimo de R$ 5 milhões junto ao Itaú. No entanto, a instituição financeira alega que os pagamentos cessaram abruptamente em abril de 2024. Como João Appolinário assinou o contrato como devedor solidário — vinculando seu patrimônio pessoal à dívida da pessoa jurídica —, ele se tornou o alvo direto da execução judicial.
O que chama a atenção no processo é o tom adotado pelos advogados do banco. O Itaú destacou que está lidando com um “tubarão” que declarou ao Fisco um patrimônio superior a R$ 170 milhões. A acusação é de que a falta de pagamento não seria uma incapacidade financeira, mas sim uma estratégia para frustrar a recuperação do crédito. Segundo a instituição, não houve o pagamento de “um único real” desde que a inadimplência começou, sugerindo manobras para ocultar bens.
Para os investidores e o público que acompanha o Shark Tank Brasil, a notícia gera um impacto de credibilidade. Appolinário sempre foi o símbolo da gestão eficiente e do sucesso comercial agressivo. Ver um mentor de novos negócios enfrentando medidas restritivas de liberdade de locomoção — geralmente aplicadas quando há receio de fuga ou ocultação de patrimônio — sinaliza uma crise muito mais profunda nos bastidores da Polishop do que o mercado imaginava.
A decisão do juiz reforça que a apreensão do documento é uma medida “adequada, necessária e proporcional” diante da resistência em quitar o débito. A medida pode ser revista caso o empresário coopere com a Justiça ou apresente bens suficientes para garantir o valor devido ao Itaú. Por outro lado, qualquer inconsistência na declaração de bens pode agravar a situação, sendo caracterizada como fraude à execução.
O desfecho deste caso define um novo capítulo para a imagem pública de João Appolinário. De investidor implacável a alvo de restrições judiciais, o empresário agora precisa manobrar não para fechar um novo negócio, mas para manter seu direito de ir e vir enquanto tenta salvar o legado da Polishop em meio a uma das maiores crises de sua história.
Fonte: https://www.uol.com.br/
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