O cenário político brasileiro foi sacudido por revelações que colocam o Ministério da Justiça e Segurança Pública sob os holofotes, mas não por questões de segurança pública. O escritório de advocacia ligado ao ministro Ricardo Lewandowski manteve um contrato de consultoria com o Banco Master que rendeu cifras impressionantes, estendendo-se por um longo período após sua posse na Esplanada dos Ministérios.
A relação contratual, iniciada em agosto de 2023, previa pagamentos mensais de R$ 250 mil por serviços de consultoria jurídica e institucional. O que chama a atenção da comunidade política e jurídica é a longevidade do acordo: ele permaneceu ativo até setembro de 2025. Ao todo, o montante bruto chegou a R$ 6,5 milhões, sendo que a fatia de R$ 5,25 milhões foi quitada enquanto Lewandowski já exercia suas funções como ministro do governo Lula.
O contexto por trás da contratação envolve nomes de peso do PT. A indicação teria partido diretamente do líder do governo no Senado, Jaques Wagner, que confirmou a sugestão do nome de Lewandowski à instituição financeira. Embora o senador tenha admitido essa articulação, ele negou qualquer envolvimento na indicação de Guido Mantega, outro nome citado em imbróglios recentes envolvendo o banco.
No dia a dia do contrato, a atuação direta do agora ministro parece ter sido pontual. Registros indicam que Ricardo Lewandowski participou de apenas duas reuniões estratégicas. Com sua ida para o governo federal, a gestão do escritório foi transferida para seus filhos, Enrique e Yara Lewandowski. Fontes próximas à apuração indicam que, apesar do fluxo contínuo de pagamentos milionários, não houve registro de entregas técnicas ou relatórios que justificassem a robustez dos valores após a mudança de gestão.
A polêmica ganha contornos de ironia política devido à postura recente do presidente Lula. O chefe do Executivo não poupou críticas ao Banco Master, chegando a declarar publicamente que “falta vergonha na cara” à instituição, citando um suposto rombo bilionário. Esse choque de narrativas — de um lado, críticas pesadas do presidente; do outro, pagamentos vultosos a um de seus ministros mais importantes — reacende o debate sobre os limites éticos e os interesses cruzados na capital federal.
O impacto desse caso deve reverberar nas próximas semanas no Congresso Nacional. Enquanto as defesas sustentam que todos os trâmites ocorreram dentro da estrita legalidade e que o contrato era pré-existente ao cargo público, a oposição já se movimenta para questionar a moralidade administrativa da transação. Para o público que acompanha os bastidores do poder, o episódio serve como um lembrete de quão tênues podem ser as linhas entre a advocacia de alto nível e a influência política.
O caso do Banco Master e o escritório da família Lewandowski é o tipo de notícia que testa a temperatura ética de Brasília. Mesmo que a legalidade seja comprovada, o “timing” e os valores envolvidos criam um desgaste de imagem difícil de ignorar, especialmente quando o próprio governo adota um discurso combativo contra a instituição pagadora. Resta saber se o desgaste ficará apenas no campo da opinião pública ou se ganhará desdobramentos jurídicos mais severos.
Fonte: https://www.areavip.com.br
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