A Coreia do Sul pode dar um dos passos mais duros do mundo contra práticas abusivas envolvendo lootboxes. Um novo projeto de lei apresentado no Parlamento sul-coreano propõe punições financeiras muito mais severas para estúdios e publishers que manipularem ou ocultarem informações sobre as chances reais de obter itens nos jogos.
A proposta foi apresentada pelo deputado Kim Sung-ho, do Partido Democrata, e altera diretamente o “Ato de Promoção da Indústria de Jogos”, legislação que já exige transparência nas probabilidades dos sistemas de lootbox, mas que, segundo críticos, falha em punir de forma proporcional quem burla as regras.
Hoje, empresas flagradas distorcendo ou escondendo taxas de drop podem receber até dois anos de prisão ou multa de 20 milhões de won. Na prática, porém, essas punições são vistas como irrisórias diante dos lucros gerados por esquemas considerados “cinzentos” dentro da monetização de jogos.
O novo texto muda completamente esse cenário. Em vez de penalidades fixas, o projeto prevê multas de até 3% da receita anual da empresa quando houver manipulação ou omissão deliberada de dados sobre lootboxes. Caso o faturamento não possa ser calculado com precisão — ou simplesmente não exista —, a multa poderia chegar a 1 bilhão de won, algo em torno de US$ 675 mil.
Para Kim Sung-ho, o problema vai muito além de falhas técnicas ou erros de comunicação. Segundo o deputado, a distorção das probabilidades mina a confiança dos jogadores e compromete todo o equilíbrio do mercado. Em declaração oficial, ele destacou que a indústria deveria competir com qualidade de jogo e criatividade, e não com mecanismos pensados apenas para maximizar ganhos de curto prazo.
A discussão não surge do nada. Nos últimos anos, a comunidade gamer sul-coreana tem pressionado autoridades após diversos casos envolvendo grandes empresas acusadas de mascarar probabilidades reais, especialmente em MMORPGs e jogos mobile com forte foco em monetização.
Se aprovada, a mudança pode redefinir a relação entre estúdios e jogadores no país. Além do impacto financeiro direto, o projeto envia um recado claro: práticas enganosas não serão mais tratadas como infrações menores, mas como um risco estrutural para a indústria.
O reflexo disso pode ir além da Coreia do Sul. Como um dos maiores mercados de games do mundo, qualquer endurecimento regulatório no país costuma influenciar debates semelhantes em outras regiões, especialmente na Ásia e na Europa.
Agora, resta acompanhar a tramitação do projeto e a reação das grandes publishers. Para os jogadores, a mensagem é clara: a transparência nos sistemas de monetização pode finalmente deixar de ser opcional.
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