O Rio de Janeiro foi escolhido entre sete cidades do mundo para participar do programa global Distritos Lixo Zero, que tem como foco a gestão eficiente de resíduos e a redução das emissões de metano. A iniciativa visa transformar bairros da capital fluminense em modelos sustentáveis antes da COP31, conferência da ONU marcada para novembro na Turquia.
Segundo o Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa (SEEG), o Rio lidera no Brasil as emissões de gases do efeito estufa provenientes do setor de resíduos. O programa é uma resposta direta a esse desafio, integrando a capital às cidades de George Town, Penang, Kuala Lumpur, Santiago, Patagônia e Kisumu.
A proposta do Distritos Lixo Zero, apoiada pela Fundação Zero Desperdício e pela rede Global Methane Hub (GMH), é criar modelos de governança, mensuração e financiamento que priorizem a destinação de resíduos orgânicos. A meta é desviar pelo menos 70% dos resíduos dos aterros sanitários até 2030 e alcançar 90% até 2040, reduzindo significativamente a emissão de metano e melhorando a qualidade do ar.
Com as ações previstas, o Rio de Janeiro poderá criar empregos, recuperar recursos valiosos e desenvolver soluções replicáveis em outros bairros e cidades. Segundo Marcelo Mena, diretor executivo do GMH, os distritos Lixo Zero são uma forma prática de gerar benefícios para a saúde pública e o meio ambiente.
Para o secretário nacional de Meio Ambiente, Adalberto Maluf, a participação do Rio no programa representa um avanço crucial nas ações climáticas do país, alinhando-se à agenda da presidência brasileira da COP30 e da futura COP31. Ele destaca ainda a importância de evitar o desperdício de alimentos como parte da economia circular e da segurança alimentar.
O Rio já possui iniciativas importantes, como o monitoramento por satélite das emissões de metano no Centro de Tratamento de Resíduos da Comlurb (CTR-Rio), em Seropédica, que tem sido fundamental para identificar pontos críticos e implementar melhorias.
Essa integração do Rio de Janeiro ao programa global sinaliza um passo decisivo para cidades brasileiras na luta contra as mudanças climáticas, mostrando que a inovação na gestão de resíduos pode gerar impacto ambiental e social positivo. A expectativa é que os modelos desenvolvidos sirvam de inspiração e base para políticas públicas em outras regiões do país e do mundo.