Kaio, de 42 anos, resume bem o alívio sentido por muitos brasileiros com a proibição das operações das empresas de apostas on-line, as bets, anunciada em setembro de 2026. Após perder carro, casa e emprego, ele busca recomeçar a vida longe das dívidas e do vício que consumiram seus últimos anos. A medida representa um marco em uma luta contra um problema que afetou milhares no país.
As apostas on-line, embora aprovadas legalmente em 2018, só foram regulamentadas em dezembro de 2023, deixando o mercado praticamente sem regras por quase cinco anos. Durante esse período, a falta de fiscalização e os anúncios excessivos criaram um ambiente propício para o crescimento do vício, especialmente entre pessoas vulneráveis.
A psiquiatra Katia Branco, do Hospital das Clínicas de São Paulo, destaca que a publicidade enganosa induziu muitos a acreditarem que as bets poderiam ser uma fonte rápida de renda. Essa falsa expectativa agravou o transtorno de controle de impulso em grupos já suscetíveis, aprofundando o impacto social e econômico.
Os números impressionam: em 2025, as famílias brasileiras perderam R$ 62,5 bilhões para as apostas, o que representa cerca de R$ 4,7 bilhões por mês. Essas perdas significam 0,68% da Renda Nacional Disponível Bruta das Famílias, com movimentações que ultrapassaram R$ 351 bilhões via Pix entre outubro de 2024 e março de 2026.
Com a nova Medida Provisória 1394, assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, as bets estão proibidas e empresas que insistirem em operar serão bloqueadas. Para pessoas como Kaio, a medida abre caminho para o tratamento e a recuperação, com acesso ampliado a Centros de Atenção Psicossocial e terapias especializadas.
A proibição das bets no Brasil marca um passo importante na proteção do cidadão contra os riscos do jogo compulsivo e nas consequências financeiras devastadoras. Resta agora acompanhar como o mercado e as políticas públicas irão se adaptar para evitar que histórias como a do Kaio voltem a se repetir.