Ligue 180, central de atendimento à mulher, contabilizou 1.564 denúncias de violência política contra mulheres entre janeiro e agosto de 2026. O número revela a persistência de agressões que dificultam a participação feminina na política, especialmente em ano de eleições gerais no Brasil.
A violência política contra mulheres é um fenômeno que ultrapassa o ambiente eleitoral e está ligado a uma cultura de misoginia e discriminação estrutural. Segundo Sandra Kennedy, secretária Nacional de Articulação Intersetorial e Interfederativa e Participação Política do Ministério das Mulheres, esse cenário é agravado por movimentos de extrema-direita globais que questionam direitos conquistados, como o voto feminino, garantido desde 1932 no país.
As denúncias envolvem diferentes tipos de agressões, incluindo discriminação por gênero e raça, ameaças, difamação, divulgação de informações falsas, coação e até crimes graves como ameaças de morte e estupro. As vítimas são majoritariamente mulheres pretas e pardas, que representam mais da metade dos casos, além de candidatas, detentoras de mandatos, defensoras de direitos humanos e ativistas.
Geograficamente, os estados com maior número de registros são São Paulo (430), Rio de Janeiro (260), Minas Gerais (149) e Bahia (89). Essas estatísticas evidenciam a forte resistência que mulheres enfrentam para ocupar espaços de poder e decisão.
A manutenção e ampliação da visibilidade desses casos são essenciais para que políticas públicas e iniciativas de proteção acompanhem a crescente participação feminina na política. Reconhecer a violência política é o primeiro passo para garantir que as mulheres possam exercer seus direitos plenamente.
Apesar dos desafios, é fundamental reforçar que o avanço da representatividade feminina não pode recuar diante dessas adversidades. O enfrentamento à violência política é uma luta contínua que fortalece a democracia e a equidade no Brasil.