Projeto prevê reconhecimento de pessoa idosa para deficientes a partir dos 50 anos
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Projeto prevê reconhecimento de pessoa idosa para deficientes a partir dos 50 anos

Mairon Vieira
Escrito por Mairon Vieira

Jornalista e especialista em conteúdo digital. Ao longo da carreira trabalhou para sites de tecnologia, economia, games, sempre com foco em oferecer informações claras e confiáveis.

Uma proposta em tramitação no Senado pode mudar a forma como a legislação brasileira reconhece o envelhecimento de pessoas com deficiência. O PL 401/2019 prevê que cidadãos com deficiência possam ser considerados idosos a partir dos 50 anos, antecipando em uma década o marco atualmente estabelecido pelo Estatuto da Pessoa Idosa.

A mudança, porém, ainda não está valendo. O projeto já passou pela Câmara dos Deputados e recebeu parecer favorável nas Comissões de Assuntos Sociais e de Direitos Humanos do Senado, mas continua aguardando votação no Plenário.

O que prevê o projeto

Atualmente, o Estatuto da Pessoa Idosa considera idosa a pessoa com 60 anos ou mais. O projeto cria uma regra específica para pessoas com deficiência, permitindo o reconhecimento da condição de pessoa idosa a partir dos 50 anos.

O texto também prevê que esse limite possa ser reduzido em determinadas situações. A definição dependeria de uma avaliação biopsicossocial multidisciplinar, levando em consideração as características e as condições específicas da pessoa com deficiência.

Na prática, portanto, completar 50 anos não significaria automaticamente que qualquer pessoa com deficiência passaria a ser considerada idosa. A avaliação individual continua sendo um dos pontos centrais da proposta.

Por que a mudança está sendo discutida

O argumento apresentado durante a tramitação é que determinadas deficiências podem estar relacionadas a um processo de envelhecimento diferente daquele observado na população em geral.

O senador Flávio Arns (PSB PR), relator da proposta na Comissão de Assuntos Sociais, defendeu a medida com base nas particularidades enfrentadas por pessoas com deficiência e nas diferenças relacionadas à expectativa de vida e ao envelhecimento desse grupo.

Na Comissão de Direitos Humanos, o relator Paulo Paim (PT RS) também apresentou parecer favorável. Segundo a justificativa associada à proposta, a mudança permitiria ampliar a proteção prevista no Estatuto da Pessoa Idosa para uma parcela da população que pode enfrentar impactos do envelhecimento de maneira antecipada.

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Quais direitos poderiam mudar

Se o projeto for aprovado definitivamente, pessoas com deficiência reconhecidas como idosas poderão passar a contar com as garantias previstas no Estatuto da Pessoa Idosa.

A legislação reúne mecanismos de proteção relacionados a áreas como saúde, assistência social, transporte, atendimento prioritário e proteção contra violência e negligência.

A proposta, entretanto, não pretende simplesmente diminuir de 60 para 50 anos a idade para toda a população brasileira. A alteração seria direcionada às pessoas com deficiência, dentro dos critérios definidos pelo projeto.

Projeto ainda precisa passar pelo Senado

Apesar de já ter avançado nas comissões, o PL 401/2019 permanece em tramitação no Senado e precisa ser analisado pelo Plenário. A própria página oficial da matéria registra que o projeto está pronto para deliberação dos senadores.

Isso significa que a regra atual continua intacta: 60 anos permanece como o marco geral para a condição de pessoa idosa no Brasil.

Caso o projeto seja aprovado e posteriormente sancionado, a legislação poderá criar uma proteção diferenciada para pessoas com deficiência que chegam aos 50 anos, reconhecendo que o envelhecimento não acontece da mesma maneira para todos.

A discussão chama atenção justamente por colocar em debate um ponto que vai além da idade cronológica. Para esse grupo, a proposta busca considerar também as condições sociais, psicológicas e funcionais relacionadas à deficiência. O próximo capítulo dessa mudança, porém, ainda depende da decisão do Congresso Nacional.

Fonte: Diário do Comércio

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