Jornalista e especialista em conteúdo digital. Ao longo da carreira trabalhou para sites de tecnologia, economia, games, sempre com foco em oferecer informações claras e confiáveis.
Uma decisão incomum de um distrito escolar dos Estados Unidos chamou a atenção ao anunciar a adoção de um robô humanoide desenvolvido pela Realbotix, empresa conhecida por seu histórico na criação de bonecas robóticas para companhia. O modelo, chamado Sally, será utilizado como assistente de ensino em turmas do ensino médio voltadas para STEM e artes, levantando discussões sobre os limites da inteligência artificial na educação.
A Realbotix já vinha enfrentando questionamentos sobre a imagem de seus robôs humanoides. A empresa ganhou notoriedade por modelos como Aria, um androide de alto custo apresentado em eventos de tecnologia, além de sua ligação com a marca RealDoll, conhecida mundialmente pela fabricação de bonecas sexuais realistas. Esse histórico voltou ao centro das atenções após a confirmação de que um de seus robôs será levado para um ambiente escolar.
O projeto será implementado no distrito escolar de Salamanca City Central School District, no estado de Nova York. Segundo a administração da escola, Sally atuará como uma ferramenta de apoio aos professores, sendo capaz de gerar planos de aula, realizar traduções em tempo real para mais de 100 idiomas e oferecer sugestões durante as aulas quando o docente precisar de assistência.
O superintendente Mark Beehler afirmou que proibir completamente o uso de inteligência artificial nas escolas deixou de ser uma estratégia eficaz, já que os estudantes inevitavelmente terão contato com essas tecnologias. Na visão da direção, o mais importante é ensinar como utilizá-las de forma responsável, em vez de simplesmente impedir seu acesso.
A fabricante também afirma que tomou medidas para reduzir alguns dos principais riscos associados à IA generativa. Entre elas está a programação para que o robô responda “não sei” quando não possuir uma informação confiável, evitando respostas inventadas. Além disso, o equipamento não ficará conectado diretamente à internet, com o objetivo de proteger dados sensíveis dos alunos.
Mesmo assim, a iniciativa divide opiniões. O custo aproximado de US$ 57 mil do robô gerou críticas em meio ao cenário de escassez de professores e baixos salários enfrentado por diversas escolas norte-americanas. Para muitos especialistas e observadores, investir em tecnologia desse tipo enquanto milhares de vagas para docentes permanecem abertas levanta dúvidas sobre as prioridades do sistema educacional.
Em comunicado oficial, o distrito reforçou que Sally não substituirá professores nem o contato humano em sala de aula. A proposta é que o robô funcione apenas como mais um recurso pedagógico para estimular o interesse dos estudantes por tecnologias emergentes.
Ainda assim, a experiência desperta curiosidade justamente pela origem da fabricante e pelo contraste entre seu histórico na indústria de robôs de companhia e sua entrada no setor educacional. Se a iniciativa conseguirá entregar benefícios reais para alunos e professores ou permanecerá apenas como uma ação de forte impacto midiático é algo que só poderá ser avaliado após sua implementação nas salas de aula.