A preservação de jogos antigos enfrenta um novo desafio. Segundo a equipe do GOG, algumas mudanças implementadas no Windows 11 estão tornando cada vez mais complicado manter títulos clássicos funcionando corretamente em computadores modernos. O alerta reforça uma preocupação crescente da indústria: conforme os sistemas operacionais evoluem, parte da história dos videogames pode acabar ficando para trás.
A declaração veio de Michał Obuchowski, Publishing Technical Manager do GOG, durante uma entrevista ao RPGSite. De acordo com o executivo, as recentes alterações da Microsoft no gerenciamento de privilégios administrativos impactam diretamente a forma como diversos jogos antigos solicitam permissões para serem executados.
O novo recurso de proteção administrativa do Windows 11 substitui o tradicional aviso do UAC por um sistema temporário vinculado ao Windows Hello, criado para aumentar a segurança do sistema. Embora a mudança faça sentido sob a ótica da proteção dos usuários, ela também exige adaptações constantes por parte do GOG, que frequentemente só consegue identificar incompatibilidades quando versões de testes do sistema são disponibilizadas.
Além das mudanças relacionadas às permissões, Obuchowski destacou que outros componentes históricos do Windows vêm sendo descontinuados ao longo dos anos. Um dos exemplos citados foi o DirectShow, cuja regressão nas versões mais recentes do Windows 11 provocou problemas na reprodução de vídeos em diversos jogos clássicos.
Segundo o executivo, o cenário fica ainda mais complexo quando entram em cena drivers antigos e sistemas de proteção contra cópia já obsoletos. Em muitos casos, remover essas tecnologias exige um trabalho técnico significativo, reforçando a importância de distribuir versões livres de DRM para garantir a longevidade desses títulos.
Essa realidade ajuda a explicar por que iniciativas como o GOG Preservation Program ganharam tanta relevância. Nos últimos anos, a plataforma restaurou a compatibilidade de diversos clássicos que corriam risco de se tornar inacessíveis em PCs modernos, incluindo Ecstatica, Clive Barker’s Undying, Thief Gold e os três primeiros jogos da franquia Resident Evil.
Cada um desses projetos exigiu uma série de adaptações para contornar limitações de hardware, APIs descontinuadas e mudanças no próprio sistema operacional da Microsoft. Conforme novas versões do Windows continuam eliminando tecnologias antigas, o desafio tende apenas a crescer.
A discussão evidencia um problema que vai muito além da nostalgia. Preservar jogos eletrônicos significa manter viva uma parte importante da história da indústria, e o trabalho realizado por iniciativas como o GOG se torna cada vez mais essencial à medida que plataformas modernas deixam de oferecer compatibilidade com softwares desenvolvidos há décadas.
Fonte: https://www.multiplayer.it/