Ferramentas de inteligência artificial seguem indicando candidatos durante as eleições, aponta pesquisa recente. Um estudo realizado pelo ITS Rio em parceria com o Ministério Público Federal (MPF) revelou que, em agosto, 20% das respostas das IAs mais usadas no Brasil recomendavam candidatos aos eleitores, contrariando normas eleitorais vigentes.
Desde março, a pesquisa Boca de IA acompanha o comportamento de sete plataformas populares, avaliando o cumprimento da resolução do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de 2026. Essa resolução proíbe que as IAs façam rankings, sugiram ou privilegiem candidatos em suas respostas.
Entre as ferramentas analisadas, a Perplexity apresentou indicações em 89% das respostas, seguida pela Meta IA (23%), Grok (14%) e DeepSeek (11%). Por outro lado, plataformas como ChatGPT, Claude e Gemini não exibiram recomendações diretas.
Além das sugestões explícitas, o estudo aponta que 86% das respostas continham algum tipo de ranqueamento dos candidatos, seja por destaque visual, omissão de nomes ou listas ordenadas que favorecem determinadas candidaturas.
No cenário presidencial, apenas quatro candidatos foram citados por todas as IAs, enquanto, dos 197 concorrentes aos governos estaduais, somente 20 receberam menção nas respostas analisadas. Esses dados orientam ações do Grupo de Trabalho do MPF que monitora desinformação e influência cibernética nas eleições.
Reuniões entre o MPF e empresas de tecnologia têm surtido efeito. A Google, por exemplo, zerou as indicações de candidatos na IA Gemini após diálogo com o órgão. A próxima rodada da pesquisa está prevista para ser divulgada antes do primeiro turno.
Com a proximidade das eleições, o monitoramento rigoroso dessas ferramentas é essencial para garantir a transparência e o respeito às normas eleitorais. A atuação conjunta entre órgãos públicos e empresas de tecnologia mostra que é possível reduzir interferências indevidas no processo democrático, mantendo o debate eleitoral mais equilibrado e justo.