O debate sobre a escala 6×1 ganhou um novo capítulo com a proposta defendida por Flávio Bolsonaro. O senador e candidato à Presidência afirma que pretende apresentar uma alternativa que considera melhor para os trabalhadores, baseada na liberdade para cada profissional escolher sua carga horária e os dias em que deseja trabalhar.
A posição de Flávio Bolsonaro surge enquanto o Congresso discute mudanças profundas na jornada de trabalho brasileira. Em vez de simplesmente reduzir a carga semanal e estabelecer dois dias obrigatórios de descanso, como prevê a proposta que busca acabar com a escala 6×1, o candidato defende um modelo mais flexível.
Segundo Flávio, a ideia é permitir que o trabalhador escolha quantas horas deseja trabalhar e organize sua própria jornada de acordo com suas necessidades.
“Você vai montar a sua escala de trabalho”, afirmou o senador ao explicar a proposta. Ele também defendeu que os direitos previstos na legislação sejam preservados, enquanto a remuneração seria calculada conforme a quantidade de horas trabalhadas.
Flávio Bolsonaro diz que proposta daria mais poder de escolha ao trabalhador
Um dos principais argumentos apresentados por Flávio Bolsonaro é que nem todos os brasileiros possuem a mesma disponibilidade para cumprir uma jornada tradicional.
O candidato citou como exemplo mulheres que precisam cuidar dos filhos e que, em determinados casos, poderiam trabalhar apenas quatro horas por dia. Nesse modelo, elas poderiam negociar horários compatíveis com a própria rotina.
A lógica também valeria no sentido contrário. Quem desejar trabalhar mais horas para aumentar a renda poderia optar por uma carga maior.
Para Flávio, o ponto central da proposta é justamente ampliar o poder de decisão do trabalhador.
A iniciativa está ligada à PEC 12/2026, apresentada pelo senador Rogério Marinho e assinada também por Flávio. O texto prevê a possibilidade de escolha entre o regime tradicional da CLT e um modelo flexível baseado nas horas efetivamente trabalhadas.
Direitos como férias e 13º salário continuariam previstos, de forma proporcional à jornada adotada.
Proposta disputa espaço com o fim da escala 6×1
A discussão acontece em um momento decisivo no Senado.
A proposta que busca acabar com a escala 6×1 prevê reduzir a jornada máxima de 44 para 40 horas semanais, sem redução salarial. O texto também estabelece dois dias de repouso remunerado por semana.
A matéria já passou pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado e começou a ser discutida no Plenário.
É justamente nesse ponto que aparecem as diferenças entre os dois modelos.
Enquanto a proposta do fim da escala 6×1 cria limites nacionais para a jornada e amplia os períodos de descanso, Flávio Bolsonaro aposta em maior liberdade de negociação para que o próprio trabalhador determine quando e quanto deseja trabalhar.
O impacto real desse modelo dependeria, porém, do texto aprovado pelo Congresso e das regras adotadas para garantir que essa liberdade de escolha funcione na relação entre empregados e empregadores.
Debate sobre jornada deve ganhar ainda mais força
Com a escala 6×1 no centro das discussões políticas, o tema tende a continuar movimentando o Congresso e a campanha presidencial.
Flávio Bolsonaro tenta ocupar espaço nesse debate defendendo que melhorar as condições de trabalho não passa necessariamente por estabelecer uma única jornada para todos, mas por permitir que cada trabalhador tenha mais liberdade para organizar sua vida profissional.
A disputa agora vai além de simplesmente ser contra ou a favor da escala 6×1. O Congresso terá de decidir qual modelo consegue equilibrar descanso, renda, proteção trabalhista e liberdade de escolha em um mercado de trabalho cada vez mais diverso.
Fonte: CNN Brasil, UOL e Senado Federal.




