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O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu que responderá à revogação do visto da embaixadora brasileira nos Estados Unidos, Maria Luiza Ribeiro Viotti, adotando o princípio da reciprocidade diplomática. A definição da medida deverá ocorrer após uma reunião prevista para esta quarta-feira, em meio ao agravamento das tensões entre Brasília e Washington.
A decisão do governo norte-americano foi anunciada pelo Departamento de Estado, que justificou a medida pela demora do Brasil em conceder o agrément diplomático para que Daniel Perez, indicado pelo presidente Donald Trump, assuma oficialmente a embaixada dos EUA no Brasil. A administração americana classificou a ação como uma resposta recíproca ao impasse diplomático.
Embora o visto tenha sido cancelado, Maria Luiza Ribeiro Viotti pode continuar exercendo normalmente suas funções em Washington. A principal consequência é que, caso deixe o território americano, não poderá retornar utilizando o mesmo documento, o que limita sua mobilidade enquanto a situação permanecer sem solução.
Nos bastidores do Palácio do Planalto e do Itamaraty, a avaliação é de que a resposta brasileira precisa manter proporcionalidade. Entre as alternativas em análise estão uma medida equivalente na área de vistos ou outra ação diplomática considerada compatível com a gravidade do episódio.
A situação também apresenta uma dificuldade prática. Atualmente, os Estados Unidos não possuem um embaixador em exercício no Brasil. A representação diplomática é conduzida pela encarregada de negócios interina, Kimberly Kelly, cargo que não possui o mesmo status diplomático de um embaixador.
Integrantes do governo brasileiro afirmam que a decisão da administração Trump possui componente político e eleitoral, entendimento que reforça a avaliação de que o episódio não deve ficar sem uma resposta oficial. Em nota divulgada na noite de terça-feira, o governo brasileiro classificou como falsas as justificativas apresentadas por Washington e afirmou que a medida é motivada por razões ideológicas incompatíveis com a tradição de respeito mútuo entre os dois países.
O episódio representa mais um capítulo da deterioração das relações diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos, ampliando um cenário de atritos que já vinha sendo marcado por disputas comerciais, divergências políticas e impasses diplomáticos. A expectativa agora recai sobre a decisão que será anunciada pelo governo brasileiro e sobre os próximos movimentos das duas chancelarias, que poderão definir o rumo da relação bilateral nas próximas semanas.
Fonte: https://g1.globo.com/