Investigadores da Polícia Federal teriam optado por não solicitar determinadas diligências ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, durante uma apuração relacionada ao senador Flávio Bolsonaro e ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A informação foi relatada pelo jornalista Valdo Cruz, da GloboNews, e repercutida pelo Jornal de Brasília nesta quarta-feira, 23 de setembro.
Segundo o relato, a investigação continuou avançando, mas os policiais teriam evitado medidas que dependessem naquele momento de autorização judicial do relator. A razão atribuída aos investigadores seria o receio de que a existência daquela linha de apuração chegasse ao conhecimento do parlamentar. O ponto é apresentado como informação de bastidor atribuída a integrantes da investigação, e não como conclusão formal da PF.
Caso envolve repasses relacionados ao filme Dark Horse
O episódio ocorre em meio às investigações sobre recursos destinados a Dark Horse, produção cinematográfica sobre Jair Bolsonaro.
Em julho, André Mendonça autorizou formalmente a Polícia Federal a investigar repasses feitos por Daniel Vorcaro para o projeto. A apuração busca esclarecer o destino do dinheiro e verificar se os valores seguiram as finalidades declaradas.
Documentos da PF posteriormente tornados públicos pelo próprio STF apontaram Flávio Bolsonaro como interlocutor direto de Vorcaro nas negociações relacionadas ao financiamento da produção. O senador é investigado no procedimento e já afirmou publicamente que os aportes foram direcionados à produção do filme dentro de uma estrutura jurídica própria, negando irregularidades.
Antes disso, em maio, Mendonça chegou a se reunir com integrantes da PF responsáveis pelas investigações relacionadas ao Banco Master. Segundo a CNN Brasil, o encontro ocorreu depois da divulgação de mensagens e de um áudio envolvendo Flávio Bolsonaro e Vorcaro, embora interlocutores da corporação tenham descrito reuniões desse tipo como parte da rotina de atualização das investigações.
Relato levanta debate sobre atuação do relator
Durante a discussão na GloboNews, o comentarista Joel Pinheiro observou que cabe à polícia definir quais diligências considera necessárias durante uma investigação. Nos casos em que uma medida exige autorização judicial, o pedido é então submetido ao relator, responsável por decidir se concede ou não a autorização.
Essa distinção é importante porque o relato não afirma que André Mendonça tenha recusado as diligências citadas. Segundo a informação divulgada, esses pedidos sequer teriam sido apresentados ao ministro naquele estágio da investigação.
Também há um dado relevante no histórico recente do caso: em julho, Mendonça efetivamente autorizou a abertura do inquérito sobre os recursos destinados a Dark Horse, após manifestação favorável à investigação.
Até o conteúdo publicado pelo Jornal de Brasília, o episódio sobre a suposta decisão dos investigadores de evitar determinados pedidos aparece baseado no relato apresentado por Valdo Cruz. A reportagem não apresenta uma confirmação institucional da Polícia Federal sobre essa motivação específica.
O caso acrescenta mais um capítulo às investigações envolvendo Daniel Vorcaro, o financiamento de Dark Horse e os contatos mantidos com Flávio Bolsonaro. As próximas manifestações formais da PF e as decisões do STF deverão indicar quais linhas de investigação avançarão judicialmente e quais elementos efetivamente integrarão o processo.




