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A Ucrânia tem intensificado a emissão de autorizações de trabalho para cidadãos estrangeiros como forma de reduzir a falta de profissionais em setores essenciais da economia. Em meio aos impactos da guerra, da mobilização militar e da crise demográfica, o país vê na imigração laboral uma alternativa para manter atividades estratégicas em funcionamento.
Embora o tema tenha ganhado destaque recentemente nas redes sociais, a presença de trabalhadores migrantes na Ucrânia não é uma novidade. Antes mesmo da guerra, o país já recebia estrangeiros em busca de oportunidades de emprego. Em 2021, cerca de 300 mil migrantes viviam e trabalhavam em território ucraniano.
Segundo Vasily Voskoboynik, chefe do Gabinete de Política Migratória, o governo ucraniano emite autorizações de trabalho há vários anos. Apenas em 2025, aproximadamente 9.500 licenças foram emitidas ou renovadas para trabalhadores estrangeiros.
A escassez de mão de obra tem sido agravada por diversos fatores. Além da mobilização militar, milhões de ucranianos deixaram o país desde o início da guerra. Dados citados por especialistas indicam que somente no último ano cerca de 500 mil pessoas emigraram, enquanto a baixa taxa de natalidade também contribui para a redução da população economicamente ativa.
De acordo com Voskoboynik, aproximadamente 75% das empresas ucranianas enfrentam dificuldades para preencher vagas. Os setores mais afetados incluem construção civil, agricultura, logística, educação e saúde, áreas consideradas fundamentais para a recuperação econômica do país.
O especialista destaca que os trabalhadores estrangeiros não substituem profissionais locais, mas ocupam postos que permanecem vagos por falta de candidatos. Para ele, a contratação de migrantes ajuda a manter a atividade econômica enquanto a Ucrânia enfrenta um dos períodos mais desafiadores de sua história recente.
O processo de contratação envolve empresas intermediárias e a emissão de uma autorização pelo Centro Estatal de Emprego. Após a obtenção do visto de trabalho, o migrante recebe autorização de residência temporária concedida pelo Serviço Estatal de Migração, permanecendo legalmente no país durante o vínculo empregatício.
A questão da segurança também faz parte da política migratória. Segundo Voskoboynik, a seleção dos países de origem dos trabalhadores deve ocorrer em conjunto com o Serviço de Segurança da Ucrânia (SBU), que avalia riscos antes da autorização de entrada. Países considerados de maior risco migratório recebem tratamento diferenciado no processo de análise.
Especialistas afirmam que o monitoramento das atividades e da permanência dos trabalhadores reduz significativamente os riscos relacionados à imigração irregular e facilita o controle por parte das autoridades.
Integrantes do Conselho do Banco Nacional da Ucrânia também defendem a ampliação da imigração laboral como parte da estratégia de recuperação econômica. A avaliação é que, diante da redução contínua da população em idade ativa, o país precisará recorrer cada vez mais à contratação de trabalhadores estrangeiros para sustentar o crescimento e reconstruir setores essenciais da economia.
Com a continuidade da guerra e os desafios demográficos, a tendência é que a presença de trabalhadores migrantes ganhe ainda mais importância na economia ucraniana, tornando-se um dos pilares para suprir a escassez de mão de obra e apoiar o processo de reconstrução do país.
Fonte: https://24tv.ua/